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3 de Abril de 2020

Nenhum juiz vai resolver se você não cuidar disso

Conflito de guarda e convivência

Lelyan Guimarães Amancio, Advogado
há 7 meses

Talvez alguém já tenha te dito, talvez você até já saiba, mas se você está no olho do furação de um conflito de convivência, as chances são grandes de que em algum momento você tenha negligenciado o poder e o impacto da comunicação nas relações familiares.

Esse pode até não ser seu caso, se você passa por um processo severo de alienação parental, porque nesse tipo de situação, não há comunicação adequada que dê jeito. No entanto, se seu caso for como o da maioria dos que chegam até mim, se olhar bem, verá que no centro do problema está a comunicação entre você e a mãe ou pai do seu filho. Ela não está funcionando como deveria e é possível inclusive, que esse tenha sido o motivo da relação de vocês ter chegado ao fim.

Provavelmente você já viu ou viveu aquele tipo de situação em que você fala uma coisa e parece depois que a pessoa entendeu outra, sim ou não?!

Ou então aquela situação em que você achava que está tudo certo e de repente é surpreendido pelo outro brigando, irritado (a), por que isso, por que aquilo, sim ou não?! ...

Isso acontece porque muitas vezes a gente acha que foi suficientemente claro, e não se preocupa em se certificar de que o outro realmente tenha entendido o que a gente quer ou precisa dele (a), ou então, sabendo que o outro nos conhece, esperamos que ele ou ela vá agir de acordo com nossos padrões, esperamos que o outro vá entender o que está dito nas entrelinhas e quando isso não acontece nos ressentimos e reagimos ao que passa a ser, para nós, ofensa gratuita.

Nesses casos costuma ter de um lado alguém com a sensação de que precisa ter uma bola de cristal pra lidar com "o (a) dito-cujo", enquanto do outro lado "o (a) dito-cujo" tem certeza de que "o alguém", tá de sacanagem, tá de provocação...

Isso acontece por que nem sempre a gente tem em mente o poder, o impacto da comunicação nas nossas relações. Esse é um erro muitíssimo comum, embora seja fatal para a saúde das relações.

Se você pretende ter paz e quer verdadeiramente resolver seu problema, precisará cuidar do modo como se comunica e como recebe a comunicação do outro, seja cuidando para que o outro te compreenda melhor, seja mudando seus padrões para ser mais claro (a) ou, para não esperar do outro o que você não comunicou precisar/querer.

Qualquer que seja a sua situação, se não cuidar da sua comunicação enquanto estiver em situação de conflito de guarda ou convivência, vai conseguir apenas soluções paliativos, temporárias. Poderá entrar com milhares de ações nas justiça, vai certamente gastar rios de dinheiro, vai impor sofrimento atroz aos seus filhos como consequência, e ainda assim não vai conseguir resolver seu problema, e se resolver, logo tudo recomeça.

3 Comentários

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Ah, mas se fosse somente em casos de família e especialmente em alienação parental... As pessoas realmente não tomam as rédeas da própria vida e do próprio destino e tudo esperam do "Estado" por meio do seu advogado milagreiro. Sabemos que existe o ditado: "só pra morte não tem jeito". Mas, o que ninguém pensa é que para vida, nem todo jeito é do jeito que gostaríamos. Um vaso remendado jamais será como era antes de ter sido quebrado e isso é fato. E existe um motivo para que o cliente simplesmente não entenda nossas palavras: idealismo. Eles idealizam no advogado a esperança do milagre que precisam e nem em mil palavras proferidas você consegue convencer o cliente sobre a responsabilidade pessoal dele no andamento da causa e especialmente no risco da demanda. Qualquer que seja ela. Para conseguir (ou tentar conseguir) defender a contento os interesses de uma cliente problemática, cheguei ao ponto de enviar para uma pessoa próxima a ela o contato de uma psicoterapeuta, pois sei que tal pessoa, enquanto não se curar das feridas causadas pela parte "ex adversa", não conseguirá ouvir e compreender um único conselho advocatício. E, para piorar o quadro, são pessoas que antes de nos idealizarem, idealizaram o outro. Assim como idealizaram o ex companheiro ou marido, idealizam o advogado. Pessoas divorciadas da realidade que as rodeia. E isso retira delas grandes chances de qualquer vitória na demanda. Pois agindo impensadamente e contra as ordens do advogado, elas atuam contra si mesmas e não têm a menor consciência disso. E não há advogado no mundo que resolva isso. Não adianta falarmos pelo cliente se o próprio cliente fala e age contra ele mesmo. continuar lendo

Em alguns casos até de ajuda profissional de psicólogo (quando não de psiquiatra! - brinquei...) continuar lendo

Texto bem realista. Realmente a falha na comunicação entre as pessoas é a causa da maioria das desavenças. continuar lendo